‘CORREMOS RISCO DE PACIENTES INTUBADOS ACORDAREM PORQUE FALTOU SEDATIVO’, DIZ ZEMA

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O Governo de Minas informou que foram implantados ontem (7), outros dez leitos de terapia intensiva no Hospital Eduardo de Menezes, da rede Fhemig, em Belo Horizonte. A maior dificuldade, porém, é em relação à falta de medicamentos para atendimento aos pacientes internados, em especial os sedativos.

Durante coletiva nesta quinta-feira (8), o governador Romeu Zema e o secretário de Estado de Saúde, o médico Fábio Baccheretti, ressaltaram que a fila atual de espera por um leito de UTI em Minas está reduzindo, o que demonstra uma desaceleração no número de casos. Hoje, são 615 pessoas no estado, enquanto em Belo Horizonte a fila é de 80 doentes.

– Sem estoque

Mas, com a baixa no estoque de medicamentos, especialmente do chamado kit intubação, qualquer tentativa de abertura de leitos se torna mais complicada. “Temos poucos medicamentos e sedativos. Nosso papel é evitar o aumento de casos já que isso implica maior consumo”, alerta Baccheretti. Segundo o governador, após enfrentar os problemas no fornecimento de oxigênio, a falta de sedativos passou a ser alarmante.

“As unidades hospitalares do estado, que trabalhavam com estoque de 60 dias ou mais, hoje têm estoque para no máximo três dias. Isso é muito preocupante. Estamos correndo risco de pacientes intubados acordarem porque faltou sedativo e sabemos que isso não pode ocorrer de forma alguma”, adverte Zema, esclarecendo que a mudança de procedimento adotada pelo Ministério da Saúde foi a causadora da crise. “O ministério fez requisição administrativa desses insumos e não tem conseguido distribuir com velocidade adequada. Hoje a situação é crítica e, amanhã, podemos ter notícias desagradáveis com relação a isso caso o fornecimento não seja normalizado”, afirma.

O Governo de Minas tem buscado solucionar o problema de forma paliativa, remanejando o estoque atual. “Quando uma unidade hoje tem estoque para sete dias, ela remaneja para aquela que tem só para um dia, coisa que antes não acontecia. Então, isso demanda uma sobrecarga ainda maior dos profissionais de Saúde. E estamos tentando compras alternativas, inclusive no exterior”, explica o governador.

Segundo o secretário, fiscais do Estado e também dos municípios têm apoiado na fiscalização dos estoques dos medicamentos nos hospitais para garantir a distribuição justa entre as unidades.

“Temos uma rede solidária. Assim vamos garantindo, conforme a chegada dos medicamentos do governo federal, um estoque médio de três dias. Todo o estoque recebido pela secretaria já foi disponibilizado, hoje não temos nada. O que nós fazemos se alguma instituição estiver com problema de estoque é buscar na rede solidária algum hospital que está com estoque um pouco maior ou buscar alternativas. Têm vários sedativos, bloqueadores neuromusculares. Às vezes falta um, mas temos outro. É muito difícil, não era até então papel da secretaria fazer, isso era realmente algo de gestão hospitalar, mas estamos dando esse apoio para que não haja nenhum risco. Por isso a importância de reduzir o número de pacientes, para que o mercado se adeque a essa quantidade de consumo”, explica Baccheretti.

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