ESPECIALISTA EXPLICA CAMPANHA JANEIRO BRANCO E DESTACA IMPORTÂNCIA DA SAÚDE MENTAL

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O primeiro mês do ano é marcado pela campanha Janeiro Branco, que tem como principal objetivo discutir a saúde mental. Para esclarecer sobre o tema, convidamos a psicóloga clínica Daniela Siqueira, especialista em Terapia Familiar, que destacou pontos importantes para manter a sanidade mental em tempos de pandemia. Confira a entrevista (onde estiver JG somos nós perguntando, enquanto DS é a especialista respondendo).
JG: Durante este mês é realizada a campanha Janeiro Branco, que busca abordar a saúde mental. Qual a importância de levantar essa discussão, principalmente no atual cenário em que estamos?
DS: Quanto mais temos espaço de fala sobre saúde mental, como o Janeiro Branco e Setembro Amarelo, mais desconstruímos pré-conceitos formados pela sociedade que intensificam os sintomas de quem sofre. A realidade instável que a pandemia trouxe para o mundo, expôs um desconcerto não só na economia, mas emocional. Então, quando falamos sobre a saúde mental e sobre a possibilidade de viver uma vida de qualidade apesar do transtorno que a pessoa esteja enfrentando, levamos informação que abre uma janela de possibilidades. É importante ressaltar que sempre há um caminho para vivenciar uma vida leve e funcional, se você não tem trilhado por ele, procure ajuda profissional.
JG: O estigma relacionado com a doença mental prejudica as pessoas a procurarem ajuda?
DS: Com toda certeza. Atualmente muitas pessoas não procuram ajuda profissional por se sentirem envergonhadas, ou até mesmo julgadas, como se ao enfrentar um transtorno depressivo por exemplo, fosse rotuladas de fracas ou sem fé. A falta de informação social acerca da saúde mental tem levado uma grande parte da população a não procurar ajuda profissional, o que pode ocasionar na intensificação do que a pessoa esteja enfrentando.
JG: Qual a diferença entre depressão x ansiedade?
DS: Tanto a depressão como a ansiedade tem o costume de se manifestarem juntas em diversos quadros psiquiátricos. Uma pessoa que enfrenta o transtorno depressivo pode apresentar sintomas ansiosos e vice-versa, por este motivo o diagnóstico e a diferenciação dos transtornos é uma tarefa complexa. Enquanto a depressão está mais associada a perda do prazer e do interesse da pessoa por atividades comuns por exemplo, a ansiedade pode ser definida por um estado constante de apreensão e medo diante de situações cotidianas. O apoio de profissionais da psicologia ou psiquiatria são essenciais tanto para o diagnóstico, quanto para o tratamento.
JG: E em relação a depressão e tristeza, qual a diferença entre elas?
DS: Primeiro ponto é entendermos que depressão não é tristeza, e tristeza não é transtorno mental. Você não é um robô programado para sorrir e estar feliz em todos os momentos da vida. Então vivenciar a tristeza é tão válido como vivenciar a alegria, o problema é quando essa tristeza tem uma duração prolongada. Quando pensamos na diferenciação da depressão e tristeza, precisamos levar em conta então o tempo de duração, a intensidade em que o sintoma é experimentado e a causa. Geralmente uma tristeza tem prazo de validade para se organizar dentro da gente, ela de alguma forma vai sendo ressignificada, já a depressão tem a tendência de se estender e se manifestar trazendo prejuízos reais para o dia a dia da pessoa, como alterações no sono, alimentação, peso e humor.
JG: Como ajudar um familiar ou amigo que está deprimido, mas não acredita estar doente?
DS: Acolhendo a pessoa, criando um espaço de fala e empatia. O que acontece infelizmente é o contrário: familiares ou amigos de alguém que sofre com o transtorno depressivo acreditam estar ajudando por meio de frases como “você não tem motivo para estar assim, tem que agradecer pela sua vida”, ou “olha fulano de tal, passa por isso e está bem”. Frases assim tem a tendência de potencializar os sintomas depressivos e trazer uma culpa intensa para o deprimido, ficando mais difícil ainda que ele aceite ajuda profissional.
JG: Nos últimos meses, devido a pandemia, 80% da população reportou sintomas moderados a graves de ansiedade e 68%, depressão, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O estudo também apontou que 50% dos brasileiros tiveram alteração no sono e 65% relataram aumento do sentimento de raiva. Para reverter esse quadro, quais hábitos devem ser adotados?
DS: Alguns hábitos são fundamentais no tratamento da ansiedade e da depressão, como por exemplo, a prática de exercícios físicos, a organização da rotina alimentar e o estabelecimento de uma rotina organizada, pratica e funcional. Porém o tratamento individual do paciente é indispensável para que o quadro seja estabilizado, pois são nas sessões que o psicólogo investigará de maneira profunda a origem dos sintomas e ensinará aquela pessoa ferramentas especificas para transforma-los. Além disso, através do tratamento psicológico o profissional identificará se há necessidade do auxilio de medicamentos. Transtornos mentais são sérios e quando não são tratados podem se intensificar e causar prejuízos sérios e irreversíveis. Não dispense um auxílio profissional.
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