“NÃO É POSSÍVEL QUE NÃO ESTÃO VENDO AS AGLOMERAÇÕES. NÃO TEM CONDIÇÕES”

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“Parece que Nova Serrana está em uma realidade paralela. Tem aglomeração em todos os lugares. E isso de certos estabelecimentos não poder funcionar é balela, já que a maioria está funcionando normalmente. Não existe fiscalização.”
Esse é o desabafo da pespontadeira Maria Aparecida Ribeiro, a respeito do atual cenário vivenciado pela população nova-serranense na pandemia da Covid-19. Ela conta que quando precisa ir ao supermercado, próximo à pista de cooper, tem de passar pela praça do bairro Jardim do Lago – ponto onde requer mais cuidado. “Sempre tem gente na praça da lagoa. À noite e no final de semana é pior. Além da aglomeração, não tem ninguém usando máscara. E o pior: a gente vê o povo usando droga sem o menor constrangimento. Todo mundo sabe disso. Por que continuam? Porque nada acontece”, relata.
A situação relatada por Maria também é parecida com a da Camila Carvalho, atualmente desempregada. A gestante conta que no último fim de semana precisou ir a uma padaria perto da praça, mas não teve coragem de descer do veículo. “Esperei 20 minutos pra ver se dava para descer, mas não tive coragem. Tinha muita gente dançando na porta com o volume do som do carro muito alto, além de muita gente na porta da loja de bebidas e na praça”.
Para Camila, é incoerente o Executivo decretar o fechamento do comércio, enquanto não houver fiscalização do poder público. “Enquanto fecha loja que dá rendimento pra cidade, não há nenhuma punição para os estabelecimentos que vendem bebida alcóolica e provocam aglomeração nas portas e balcões. Por que não multa? Deveria multar até o cidadão que tá na rua por esses motivos”, sugere. Por fim, a gestante questiona a falta de fiscalização no município. “Por que a lei é só para alguns? Porque não é possível que eles não estão sabendo que estão tendo aglomerações na praça. Não é possível. Não tem lógica. Não tem condição”, diz indignada.
A faxineira Rosangela Aparecida Fonseca de Faria vivencia essa aglomeração todos os dias no transporte público. “Sempre estou passando de lotação pela Praça do Planalto e vejo bares lotados, assim como nas portas de lojas, funcionários sem máscaras e principalmente nas ruas, no ponto de ônibus. Quando começou a pandemia tinha um rapaz que higienizava a lotação, agora faz tempo que não tem. Perguntei ao motorista o por quê de não estar higienizando mais e ele respondeu que a empresa tinha mandado os funcionário que fazia esse serviço embora”, relata.
Rosangêla também conta que há poucos dias foi abordada por um homem que pedia para ela tirar a máscara e faz o alerta à população. “Outro dia eu estava do lado de fora do meu trabalho e um senhor evangélico com a bíblia nas mãos me abordou, pedindo pra que eu não usasse máscara. Fico muito triste vendo pessoas não se prevenindo. As pessoas deveriam ter mais consciência, pois essa doença não é brincadeira. Também tem muitos idosos que não estão nem aí, não acreditam”.
“Já que a cidade está assim, cadê os fiscais? Não está tendo fiscalização. Basta andar nas ruas, nas praças e lotação para ver. É muito triste e o povo também não coopera. Eu só queria pedir já que a maioria das pessoas não está usando máscaras, que o prefeito colocasse mais fiscalização nas ruas, nas lotações e até mesmo nas fábricas. Pois será que as fábricas estão andando nas normas?”, indaga.
A proprietária Rose Sousa teve de fechar a sua loja de calçados, uma vez que a cidade está na Onda Vermelha – a mais restritiva do programa estadual Minas Consciente. Para ela, ou fechava tudo de uma vez ou deveria ter mais fiscalização, já que certos estabelecimentos estão funcionando normalmente. “Alguns estabelecimentos abertos e outros fechados, já que está na onda vermelha, simplesmente deveria fechar tudo. Eu tenho uma loja e não estou indo abrir, faço a minha parte e os outros não. Aí é onde o povo revolta. Se tivesse fiscalização nas ruas não precisaria nem fechar as lojas, porque ia ter fiscal monitorando e com certeza as pessoas iriam ficar com medo e não ia aglomerar”, recomenda.
A empresária também questiona o funcionamento das feiras livres. “Acho simplesmente um absurdo uma cidade que está na onda vermelha ter quatro feiras na semana, mesmo que seja só de verduras. Poderia por enquanto ter uma só. Eu sei que o povo precisa trabalhar, mas acho que se não fizer um pouco de sacrifício, isso infelizmente não vai acabar. O prefeito tinha que tomar uma atitude mais severa”, diz.
Outra leitora do Jornal Gazeta que pediu para não ser identificada, sugere a proibição de bebidas alcóolicas no município. “Eu sempre cobro que deveria proibir a venda de bebidas alcoólica nos comércios, porque assim eles não têm onde comprar pra se aglomerarem em casa, sítios e praças. Estou errada?”
Ela acrescenta que teve três pessoas próximas vítimas da doença que ficaram em estado grave, mas que felizmente estão se recuperando. “Só acho que esse vírus não é brincadeira, só quem passou por isso na família sabe o sofrimento que é, muitos ainda não acredita na gravidade”, lamenta.
A designer de sobrancelhas Júlia A. L. diz que a sua maior preocupação é de que algum familiar seja infectado, pois pertencem ao grupo de risco. “Nas ruas eu vejo a maioria da população despreocupada com o aumento da infecção aqui na cidade. Muitos não usam máscara e não adotam o distanciamento social, talvez por não acreditar no vírus ou por não ligar. Eu me sinto muito triste, porque meus familiares são todos do grupo de risco, eu tento seguir todas as prevenções a risca, por mais que seja impossível, mas pelo menos o uso de máscara e o distanciamento social. Minha única preocupação não é comigo, e sim eu pegar e transmitir pra minha família, já que não posso ficar sem trabalhar. Sou autônoma e mesmo assim entendo que é essencial o fechamento da cidade para que controle a infecção”, pontua.
“A prefeitura, junto com o patrulhamento da guarda municipal, poderiam pegar mais pesado nas cobranças do uso de máscara e do distanciamento social e até adotar o método de punição por meio de multas, assim a população passaria a se preocupar já que vai pesar no bolso”, sugere.
A fisioterapeuta Nayara Santos cobra regras rígidas para conter a contaminação. “Penso principalmente nas famílias que tem crianças, talvez seria necessário estabelecer regras de circulação nos ambientes ao ar livre durante o dia (praças e pista de cooper), como o distanciamento e o uso de máscaras. Em relação às festas clandestinas sou totalmente contra. A chance de transmissão da doença nesse tipo de ambiente é altíssima e quem paga não são somente as pessoas presentes no evento, mas também a população como um todo, pela falta de leitos e recursos… Talvez a população devesse levar a pandemia mais a sério e seguir as medidas de proteção, pois não é isso que se vê nas ruas. Pessoas estão morrendo.”
Posicionamento da Prefeitura
A Prefeitura de Nova Serrana, por meio da Vigilância Sanitária, afirmou que de março de 2020 até o momento, foram feitas cerca de 1.300 visitas de fiscalização em estabelecimentos de todos os ramos de atividade. Relatou ainda que nas últimas duas semanas, em que a cidade se encontra na fase vermelha, mais de 300 estabelecimentos foram visitados. Até o momento, o setor recebeu aproximadamente 30 denúncias.
Desde o início da pandemia, apenas 15 interdições foram feitas pela Vigilância. Questionada sobre quantos locais receberam multa, a Prefeitura disse que “primeiramente é feita uma orientação verbal e em caso de reincidência, uma notificação. Após esse procedimento, em caso de reincidência, o estabelecimento está passivo a abertura de processo administrativo, e ao invés de multa é feita a interdição em caso de risco gravíssimo”.
Nossa redação recebeu provas na última semana de que um box de crossfit está funcionando e repassou à Vigilância. Esta, porém, informou-nos que foram feitas duas notificações ao proprietário (uma não-verbal). E, que, em caso de reincidência, haverá outra notificação. Não foi dito sobre interdição do estabelecimento.
Também questionamos a assessoria de comunicação sobre o funcionamento de academias durante a Onda Vermelha – uma vez que é proibido, porém, estão de portas abertas na cidade. O departamento apenas informou que “não há nenhum decreto ou portaria que autorize o funcionamento”. Contudo, não esclareceu sobre a fiscalização nesses ambientes. Além de academias, inúmeras lojas estavam em pleno funcionamento durante essa semana.
A Vigilância Sanitária possui 15 colaboradores trabalhando no atendimento de denúncias, orientação e fiscalização de assuntos sanitários. A Prefeitura disse ao Jornal Gazeta que, o trabalho do setor, consiste em realizar ações de educação, orientação e fiscalização. Também alegou que o combate à aglomeração em espaços públicos cabe aos órgãos de segurança pública.
Contudo, em coletiva virtual no fim do ano passado, o secretário de Estado adjunto de Saúde de Minas Gerais, Marcelo Cabral, explicou o papel do Estado no desenvolvimento das atividades do Minas Consciente. “A partir das deliberações do Comitê Extraordinário Covid-19, nosso papel é fixar orientações e diretrizes. No entanto, reforçamos que a decisão final e as questões relacionadas à fiscalização cabem sempre aos municípios”, destacou.
Esporadicamente, a Polícia Militar (PM) realiza operações/detenções no intuito de combater as aglomerações. A última, divulgada pela assessoria de comunicação do 60º Batalhão da Polícia Militar, foi feita no dia 23 de novembro do ano passado. Na ocasião, dois homens foram presos e uma arma de fogo apreendida, após uma denúncia de uma festa com grande aglomeração no bairro Francisco Lucas. Desde então, não houve outra ocorrência nesse sentido divulgada à imprensa.
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